Poesias da Vida




 Escrito por Marcos Maurício às 18h57 [] [envie esta mensagem] []






Livro contra armas, balas contra palavras.


O que aconteceu na última terça (19/06) na USP foi uma luta de desiguais. Quase todas as guerras são marcadas por diferenças que podem ser numéricas, financeiras ou bélicas, ou seja, diferença no número de soldados de cada lado, do dinheiro que cada um tem para conseguir armamentos e munições, etc. No caso da batalha na USP as diferenças são muitas e significativas. De um lado palavras de ordem, palavras de luta e de descontentamento, palavras... Do outro soldados armados, com armas, bombas, violência... De um lado livros e do outro munição.

 Palavras e livros, balas e bombas.  

 Protesto contra intolerância. Violência que acaba numa história mal contada por aqueles que agridem. Violência que chega até a História onde encontra professores que mal sabem porque recebem bombas e tiros.Perdidos, encurralados com os alunos e com os funcionários. A polícia agride sem saber a quem e sem saber o motivo. Não pergunta, não espera. Ataca.  

 Triste fim? Espero que não. Que seja um novo começo.  



 Escrito por Marcos Maurício às 12h37 [] [envie esta mensagem] []






Rubem Alves: É preciso aprender a brincar!

Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo

Eu disse "caixa de ferramentas" e "caixa de brinquedos". Santo Agostinho disse "ordem da utilidade" e "ordem da fruição". Freud disse "princípio da realidade" e "princípio do prazer". Martin Buber disse "o mundo do 'isso'" e "o mundo do 'tu'". É tudo a mesma coisa.

Marcelo Zocchio
 

Mas quem disse primeiro foram as Sagradas Escrituras. Elas contam que Deus estava infeliz. O vazio em que vivia lhe dava tédio. Por isso teve um sonho. Sonhou com um jardim _não há nada que dê mais alegria que um jardim. E decidiu plantar um jardim para ficar alegre.

Começou nos confins do vazio, criando as grandes estrelas, o Sol, a Lua, e foi afunilando, afunilando, até chegar a um lugar bem pequeno, onde plantou o seu sonho: o Paraíso. Fontes, árvores frutíferas, flores, pássaros, borboletas, animais de todo tipo e até um vento fresco e perfumado que soprava nas tardes.

Cecília Meireles resumiu essa estória num minúsculo poema enorme: "No mistério do Sem-Fim equilibra-se um planeta./ No planeta, um jardim./ No jardim, um canteiro./ E no canteiro, o dia inteiro/ Entre o mistério do Sem-Fim e o planeta/ A asa de uma borboleta...".

Era o jardim das delícias, destino dos homens, destino do Universo, destino de Deus! O Paraíso era melhor que o céu. Prova disse é que Deus passeava pelo jardim ao vento fresco da tarde... Terminado o seu trabalho de seis dias, Deus parou de trabalhar. Entregou-se então àquilo para que o trabalho havia sido feito: uma deliciosa vagabundagem contemplativa. Os olhos olharam para o jardim e experimentam o êxtase da beleza! "E viu Deus que era muito bom..." Os olhos de Deus brincavam com o jardim. Nada havia para ser feito. Tudo para ser gozado.

Nos limites do meu conhecimento, Jacob Boehme (1575-1624) foi o único teólogo que entendeu isso. Herética e eroticamente, ele disse que a única coisa que Deus faz é brincar e que o Paraíso era um lugar para que os homens brincassem uns com os outros e com as coisas ao seu redor _homem e mulher, para que um brincasse com o corpo do outro. Perderam o Paraíso quando desaprenderam a arte de brincar.

Os poemas sagrados colocam as coisas na ordem certa. A semana bíblica começa com os dias de trabalho e termina com o dia de gozo. A igreja alterou essa ordem. Primeiro o dia da contemplação: o corpo descansa para trabalhar melhor...

A forma como as ferramentas são aprendidas é muito simples. Tudo começa com o sonho. O corpo sonha. Pois, como Freud percebeu, ele é movido pelo "princípio do prazer". O sonho é o meu pequeno paraíso. Se fôssemos feiticeiros, se tivéssemos o poder mágico dos deuses, bastaria dizer o sonho em voz alta para que ele se realizasse.

Mas somos fracos seres humanos e temos necessidade de pensar. O sonho dá ordens à inteligência: "Pense, invente as ferramentas de que necessito para realizar o meu sonho". Aí a inteligência pensa. Se o sonho não existe, é inútil dar ordens à inteligência. Ela não obedece.

Veio-me a idéia de que a inteligência muito se parece com o pênis. Não se assuste: o mundo está cheio das analogias mais estranhas. Pois o que é o pênis? É um órgão que, no seu estado normal, é um apêndice ridículo, flácido, que realiza funções excretoras automáticas, que não demandam grandes reflexões. Mas, se provocado pelo desejo, ele passa por curiosas metamorfoses hidráulicas que lhe dão a capacidade de ter prazer, de dar prazer e de criar vida. Se não há desejo, é inútil que a cabeça lhe dê ordens.

Assim também é a inteligência. No cotidiano, ela se encontra num estado flácido que é mais do que suficiente para a realização das tarefas rotineiras. Quando, entretanto, é provocada pelo desejo, ela cresce e se dispõe a fazer coisas ditas impossíveis. Assim viu Fernando Pessoa, que disse: "Sinto uma erecção na alma". Uma inteligência flácida é uma inteligência sem desejo.

Meu amigo Eduardo Chaves observou que, ao contrário do que anuncia o best-seller "Inteligência Emocional", a verdade é o oposto. Não há inteligência emocional. A inteligência jamais procura a emoção. É a emoção que procura a inteligência. É a emoção que deseja ser eficaz para realizar o sonho. Mas a capacidade de brincar também precisa ser aprendida. E ela tem a ver com a capacidade do corpo de ser erotizado pelas coisas à sua volta, de sentir prazer nelas. Nossos sentidos _a visão, a audição, o olfato, o tato, o paladar_ são órgãos de fazer amor com o mundo, de ter prazer nele.

Mas não basta ter olhos, nariz, ouvidos, língua, pele. Os sentidos, no seu estado natural, podem sofrer daquela flacidez sobre que falei... Roland Barthes sugeriu, então, que a educação dos sentidos fosse semelhante ao "Kama Sutra", o ensino das várias posições possíveis de fazer amor com o mundo. Mas isso, é claro, exige que os professores sejam mestres na dita arte...

Rubem Alves, 70, é educador. Escreveu, entre outros, "Livro sem Fim" (Edições ASA), publicado em Portugal, e "Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente..." (Verus).
Site: www.rubemalves.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u896.shtml



 Escrito por Marcos Maurício às 19h27 [] [envie esta mensagem] []






Depois da queda... (e não é a da bolsa)

Pois é, parece ridículo, mas é a mais pura verdade. Caí, um tombo bobo e feio, e quebrei o cotovelo. Nunca tinha quebrado nenhum osso. Como diz o meu cunhado Taiguara não vou mais poder me vangloriar disso. Estava sozinho, tinha acabado de sair de um bar com uns amigos, procurava um táxi quando uma corrente me achou primeiro. Poderia ter inventado uma história de cinema qualquer, tipo assim:

1)Estava voltando pra casa, de longe vejo uma cena meio estranha, uma mulher tenta se soltar de um homem que tenta agarrá-la a força, vejo a cena mais de perto e percebo que é uma tentativa de violação. Chego perto sem que o safado veja, dou-lhe um soco na nuca, ele cai e a moça, ainda em prantos, começa a agradecer-me. O que não imaginávamos é que o estuprador não estava só, tinha um comparsa, ele veio em nossa direção, a luta foi violenta, socos e chutes para todos os lados.  A polícia chega, penso que a luta está terminada, vou ajudar à moça que ainda está caída chorando e o bandido, ignorando a polícia empurra-me e eu caiu por cima do braço, quebrando o cotovelo.

2) Estou eu voltando para casa, quando ouço gritos, não vejo ninguém, era madrugada, São Paulo vazia, os gritos de ajuda não cessavam. Chego próximo ao lugar dos gritos que agora não passam de pequenos murmúrios. Vejo que há um buraco no chão, desses feitos por companhias de concessão pública, e uma senhora, grande, gorda está lá, caída. Ela me vê e pede ajuda. O buraco tem uns 2 metros de profundidade e mais ou menos 1 metro de diâmetro, tento sair para chamar ajuda, mas Antônia, esse é o nome da senhora presa no buraco, me pede que eu a ajude, tentamos começar a remoção (não sei se esse o verbo mais bonito para mostrar o que acontecia, mas a imagem era bem essa mesma, a de uma remoção). Comecei a ajudar Antônia dei a mão à ela que me estende a sua. Quando já estava quase conseguindo, ela escorrega e puxa meu braço para baixo. Os ligamentos do cotovelo não aguentam o tranco e sofro uma luxação com pequena fratura.

3) Quase uma hora da manhã de sábado, saio de um bar no qual conversava com alguns amigos, na hora de ir embora vai cada um para um lado, vou em procura de um táxi. Numa praça próximo ao metrô 4 caras bem mal encarados tentam me roubar. Resisto ao assalto, mas durante o grandioso embate, vou ao chão, caindo de mau jeito e luxando o cotovelo, os covardes fogem sem nada levar, mas fico lá caído, me levanto e vou andando até o hospital mais perto segurando o braço que dói muito.

Como percebe-se aqui, muitas vezes podemos mudar a realidade a nosso modo e nem sempre as coisas ficam melhores, ou seja no final, independente da história o braço ta quebrado. Com valentia ou sem ela, com sorte ou não resultado foi o mesmo. E a dor ainda levemente continua.

Se tiver outras sugestões de histórias e só enviar.

 



 Escrito por Marcos Maurício às 10h11 [] [envie esta mensagem] []






Textos antigos I (de novo)

Voltando a publicar os velhos textos perdidos no tempo e no espaço de HDs sem memória e sem história. O título é:

 

MORREREMOS?

É incrível como pessoas sensíveis podem mudar o mundo.

 O mundo é a metáfora da vida que vivemos. E nos últimos tempos o mundo é morte, é horror, é desespero. Reflexo de uma vida suja de um mundo imundo, de um presente ausente. Vivemos em busca da luz , “mas eu não tenho luz”, vivemos em busca de um passado que ainda não passou, nem nunca passará, porque por ser passado era, foi.

 João, Maria, José, nomes que não informam, que não dizem nada. São. Estão. Passam pela vida sem viver, são passageiros de um trem fantasma, cuja estação final todos conhecemos. Mas ninguém nunca esteve lá, se esteve, não contou ou por medo, ou por tristeza.

 

O outro lado, como será? Como será a vida? Pois estamos na morte eterna, não conhecemos o outro lado do espelho escuro, não vimos a luz.

 O mundo sem alfabetos, sem Letras. O mundo das imagens e dos sons que nos impregnam a rotina do dia a dia. Este é o mundo do espelho escuro. Onde está DEUS? Ele nos esqueceu aqui, está zombando com a nossa cara. Escondido esperando a hora de voltar, esperando o quê? O fim já está aqui. Mortos espalhados pelo chão; sangue pisado por crianças inocentes- assassinos. E Deus a olhar para tudo e rir-se. Judeus matam mulçumanos em nome de Deus, que Deus é este que permite a morte em seu nome, que religião é essa que esconde toda a irracionalidade humana. Será Deus? Criador, todo-poderoso? Será que somos filhos da injustiça e do descaso? Pode ser que não, mas ainda não encontrei as respostas que busco.

 O mundo tecnologicamente correto. O mundo das falsas verdades, e das verdadeiras mentiras. Este é o mundo que vivemos, este é o mundo que não queremos ver neste novo século que virá. Conseguiremos? Só nós poderemos dizer, daqui a 100 anos, então até lá!!!

   



 Escrito por Marcos Maurício às 20h02 [] [envie esta mensagem] []






Análise do discurso e Mídia

http://ojs.portcom.intercom.org.br/index.php/comunicacaomidiaeconsumo/article/viewFile/5006/4630

 



 Escrito por Marcos Maurício às 13h33 [] [envie esta mensagem] []








 Escrito por Marcos Maurício às 09h40 [] [envie esta mensagem] []






As mudanças que vêm e que vão

 

 

“…o milagre do espírito repetiu-se todos os anos,

com a transformação de jovens imaturos em cidadãos

integrados na sociedade e conscientes

de seus direitos e deveres.”

Francisco Gracioso In: Revista ESPM volume 16, ano 15. Ed 1.

 

                Refletia sobre essa frase e pensava que a mudança que se sente nos alunos é resultado – entre outras coisas – da mudança que se dá também em nós professores e acredito que em outros funcionários também. A ESPM mais do que uma instituição de ensino superior é uma instituição superior de ensino; explico-me. Ao que se pode perceber no dia a dia da Escola a função não é nunca a de só formar para um mercado cada vez mais competitivo – função de quase todas as faculdades e universidades – a função primeira é formar um cidadão que, preocupado com o mundo a sua volta e com as pessoas que estão nele, esteja preparado para este mercado competitivo, deste modo a lógica da educação muda e a instituição muda as pessoas que nela estão. Por isso digo que nós professores também mudamos, pois passamos a acreditar no ideal de projeto da Escola, passamos a querer fazer com que as coisas funcionem e que as transformações possam ser possíveis. Os alunos sentem a integração e a dedicação da Escola para com os professores e esta dedicação passa dos professores aos alunos. Sentimos que somos pessoas e não indivíduos (em termos de DaMatta) estamos integrados e tentamos integrar. Desta forma as mudanças são possíveis, e acontecem.     

                Percebemos também mudanças significativas nos alunos num espaço de tempo muito curto. Em geral dou aulas para os alunos que estão entrando na Escola. Quase sempre alunos de 1º.  e 2º. semestres de RI. Alunos que acabam de deixar o Ensino Médio e mal sabem o que vão fazer num curso novo como este. Nas primeiras aulas percebe-se certa hesitação (ou seria exaltação) por parte de alguns alunos, talvez devido à imaturidade, talvez devido a uma liberdade até então nunca experimentada. Alunos que vêm de outras cidades, que passam a morar sozinhos ou em repúblicas, mudanças fortes para jovens ainda em formação.  Em algumas aulas sentimos dificuldades, pois estes alunos falam muito, querem contar-se coisas, querem aproveitar esta liberdade que lhes fora dada. Em outras tudo parece mais calmo e não sabemos bem o porquê.  Em pouco tempo acontecessem as primeiras mudanças, alunos que mal entram na Escola já começam a ter uma vida acadêmica e de trabalho. Contam, com muita alegria, que estão na ESPM Jr., que formam aprovados na AIESEC, que estão fazendo parte da Atlética, etc. Começam a ter envolvimento também com o mundo escolar acadêmico, percebem que não é o mesmo fazer um trabalho para o colégio ou ter que defender um projeto como o TCM, ter que expor seus conhecimentos adquiridos há tão pouco tempo. Mas as principais mudanças parecem vir depois. Hoje encontro alunos nos corredores que estão no 3º. ou 4º. semestre e muitos vêm contar-me, com felicidade, que estão com projetos de trabalho, que a vida tem melhorado muito, que se sentem mais capazes. Contam dos cursos de férias que fizeram, das viagens de intercâmbio. E do muito que estão aprendendo na ESPM. E aqui volto à epígrafe deste pequeno texto, estes alunos estão passando – e percebendo isso – de jovens imaturos a cidadãos conscientes e integrados na sociedade de fato.

 

 

 

 

     



 Escrito por Marcos Maurício às 18h01 [] [envie esta mensagem] []






Para conhecer São Paulo



 Escrito por Marcos Maurício às 00h05 [] [envie esta mensagem] []






Hoy todo el hielo en la ciudad - Almendra



 Escrito por Marcos Maurício às 15h58 [] [envie esta mensagem] []






Tema de Pototo - Almedra



 Escrito por Marcos Maurício às 15h08 [] [envie esta mensagem] []






El mundo entre las manos - Almedra



 Escrito por Marcos Maurício às 14h57 [] [envie esta mensagem] []






Laura Va - Almendra



 Escrito por Marcos Maurício às 14h53 [] [envie esta mensagem] []






Muchacha (Ojos de Papel) - Almedra



 Escrito por Marcos Maurício às 14h44 [] [envie esta mensagem] []






A Queda de Dona Marisa


Esta semana a nossa Primeira Dama caiu da cama e quebrou a clavícula, o que não foi dito em nenhum lugar ainda é o que disse Dona Marisa ao presidente logo depois da queda. Mas eu descobri. Há uma música de Chico Buaque chamada "Não Sonha Mais" que descreve exatamente o que disse a digníssima esposa de nosso presidente a ele ainda no chão do Palácio da Alvorada.


Olhem a letra da música de Chico Buarque e digam se não pode ser considerada uma premonição...


Hoje eu sonhei contigo, tanta desdita, amor nem te digo
Tanto castigo que eu tava aflita de te contar

Foi um sonho medonho desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha, e se urina toda e quer sufocar

Meu amor vi chegando um trem de candango
Formando um bando mas que era um bando de orangotango
pra te pegar

Vinha nego humilhado, vinha morto-vivo, vinha flagelado
De tudo que é lado vinha um bom motivo pra te esfolar

Quanto mais tu corria mais tu ficava, mais atolava
Mais te sujava, amor, tu fedia, empesteava o ar

Tu que foi tão valente chorou pra gente, pediu piedade
E, olha que maldade, me deu vontade de gargalhar

Ao pé da ribanceira acabou-se a liça e escarrei-te inteira
A tua carniça e tinha justiça nesse escarrar

Te rasgamo a carcaça, descendo a ripa, viramo as tripas
Comendo os ovos, ai, e aquele povo pôs-se a cantar

Foi um sonho medonho desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha e se urina toda e já não tem paz

Pois eu sonhei contigo e caí da cama
Ai, amor, não briga, ai, não me castiga
Ai diz que me ama e eu não sonho mais.


É ou não uma pérola?




 Escrito por Marcos Maurício às 16h51 [] [envie esta mensagem] []




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