Poesias da Vida


As mudanças que vêm e que vão

 

 

“…o milagre do espírito repetiu-se todos os anos,

com a transformação de jovens imaturos em cidadãos

integrados na sociedade e conscientes

de seus direitos e deveres.”

Francisco Gracioso In: Revista ESPM volume 16, ano 15. Ed 1.

 

                Refletia sobre essa frase e pensava que a mudança que se sente nos alunos é resultado – entre outras coisas – da mudança que se dá também em nós professores e acredito que em outros funcionários também. A ESPM mais do que uma instituição de ensino superior é uma instituição superior de ensino; explico-me. Ao que se pode perceber no dia a dia da Escola a função não é nunca a de só formar para um mercado cada vez mais competitivo – função de quase todas as faculdades e universidades – a função primeira é formar um cidadão que, preocupado com o mundo a sua volta e com as pessoas que estão nele, esteja preparado para este mercado competitivo, deste modo a lógica da educação muda e a instituição muda as pessoas que nela estão. Por isso digo que nós professores também mudamos, pois passamos a acreditar no ideal de projeto da Escola, passamos a querer fazer com que as coisas funcionem e que as transformações possam ser possíveis. Os alunos sentem a integração e a dedicação da Escola para com os professores e esta dedicação passa dos professores aos alunos. Sentimos que somos pessoas e não indivíduos (em termos de DaMatta) estamos integrados e tentamos integrar. Desta forma as mudanças são possíveis, e acontecem.     

                Percebemos também mudanças significativas nos alunos num espaço de tempo muito curto. Em geral dou aulas para os alunos que estão entrando na Escola. Quase sempre alunos de 1º.  e 2º. semestres de RI. Alunos que acabam de deixar o Ensino Médio e mal sabem o que vão fazer num curso novo como este. Nas primeiras aulas percebe-se certa hesitação (ou seria exaltação) por parte de alguns alunos, talvez devido à imaturidade, talvez devido a uma liberdade até então nunca experimentada. Alunos que vêm de outras cidades, que passam a morar sozinhos ou em repúblicas, mudanças fortes para jovens ainda em formação.  Em algumas aulas sentimos dificuldades, pois estes alunos falam muito, querem contar-se coisas, querem aproveitar esta liberdade que lhes fora dada. Em outras tudo parece mais calmo e não sabemos bem o porquê.  Em pouco tempo acontecessem as primeiras mudanças, alunos que mal entram na Escola já começam a ter uma vida acadêmica e de trabalho. Contam, com muita alegria, que estão na ESPM Jr., que formam aprovados na AIESEC, que estão fazendo parte da Atlética, etc. Começam a ter envolvimento também com o mundo escolar acadêmico, percebem que não é o mesmo fazer um trabalho para o colégio ou ter que defender um projeto como o TCM, ter que expor seus conhecimentos adquiridos há tão pouco tempo. Mas as principais mudanças parecem vir depois. Hoje encontro alunos nos corredores que estão no 3º. ou 4º. semestre e muitos vêm contar-me, com felicidade, que estão com projetos de trabalho, que a vida tem melhorado muito, que se sentem mais capazes. Contam dos cursos de férias que fizeram, das viagens de intercâmbio. E do muito que estão aprendendo na ESPM. E aqui volto à epígrafe deste pequeno texto, estes alunos estão passando – e percebendo isso – de jovens imaturos a cidadãos conscientes e integrados na sociedade de fato.

 

 

 

 

     



 Escrito por Marcos Maurício às 18h01 [] [envie esta mensagem] []




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